Jul 27, 2020 FEITO PRA FICAR: REBRANDING DOS BUCKS
Leonardo Risso FOTO: Kenny Woo/MilwaukeeBucks, Courtesy of Milwaukee Bucks, Mortenson Construction, Jeff Hanisch-USA TODAY Sports, Keith Allison, Gary Dineen

A situação não era nada boa em 2014 para o Milwaukee Bucks. A franquia era dona do pior recorde da temporada regular com 15 vitórias, a menor média de público em jogos, foi considerada a franquia menos valiosa pela Forbes e uma coisa era certa, uma mudança precisava acontecer.

 

Ao final da temporada, a equipe foi vendida por 550 milhões de dólares para os empresários Wesley Edens e Marc Lasry que afirmaram:

 

"Nós somos fãs de basquete durante a vida toda e estamos comprometidos com o sucesso dos Bucks e a identidade do time com a cidade de Milwaukee. É nossa visão que essa franquia seja admirada local e nacionalmente por seu sucesso em quadra, pela qualidade de sua organização e pela lealdade de sua base de fãs. Tendo cada um de nós construindo equipes competitivas no mundo dos negócios, aplicaremos a mesma intensidade e determinação como proprietários do Milwaukee Bucks. Somos tão apaixonados e energizados quanto os fãs dos Bucks em trazer um campeonato da NBA para Milwaukee..."

 

Na temporada seguinte, após passar por uma reformulação de elenco e contratar o exjogador Jason Kidd como técnico, a equipe se classifica para os playoffs em 6º lugar com recorde de 41-41, as vendas aumentaram 25% em relação à temporada passada, o número de patrocinadores cresce e é assinado um acordo onde a cidade pagaria metade do financiamento da nova arena do time.

 

Era o início de uma nova era e o momento não poderia ser mais oportuno para mudar sua marca, os Bucks entram assim, em processo de rebranding. Mas isso não significa mudar apenas sua identidade visual, um processo bem feito é pensado a longo prazo e passa por todos os elementos que ressignificam a percepção do mundo em relação a franquia.

 

O projeto precisava relembrar os fãs de uma equipe campeã, que deixou um legado de muita história e identificação com a cidade onde passaram jogadores como Oscar Robertson e Kareem Abdul-Jabbar na década de 70, apresentando a ambição de construir uma marca que se conecta com as novas gerações e realmente quer “possuir o futuro”, expressado pelo slogan da campanha.

 

 

A nova identidade visual da franquia foi liderada e projetada pelos designers Justin Kay, Christopher Isenberg e Kimou Meyer. De início, a paleta de cores foi atualizada retirando a cor vermelha e adicionando a cor creme que representa os tijolos das construções do século 19 da cidade e azul em homenagem aos grandes lagos e rios que se encontram em "Cream City", Milwaukee.

 

O logo primário não sofreu uma alteração radical, mas se tornou muito mais moderno e agressivo. Enquanto os mascotes de outras equipes são predadores, o cervo, por sua vez, é considerado uma presa, logo, precisava representar mais imponência. Segundo os Bucks a nova marca "está apenas olhando para o futuro, é uma figura imponente determinada e focada no caminho à sua frente".

 

O processo criativo passou por 2 semanas de imersão total para chegar no primeiro rascunho com chifres maiores formando os contornos de uma bola de basquete e um "M" abaixo da cabeça representando a cidade de Milwaukee.

 

 

Também foram criados logo secundário, que serve como distintivo de honra e terciário, formado pelo desenho do estado de Winsconsin, uma nova fonte, o piso da quadra e todos os uniformes foram reformulados junto a comunicação da franquia.

 

Além de uma identidade que transmitia a visão e valores que o time de Milwaukee queria passar com a próxima era, uma nova arena multiuso com uma arquitetura moderna, capacidade para 17.500 pessoas e tecnologia de ponta aumentava a sensação de esperança dos torcedores e motivava ainda mais os jogadores e a Liga inteira começa a olhar de uma forma diferente para aquela franquia de Winsconsin.

 

 

Inaugurada em 2018, a nova casa dos Bucks está localizada em um complexo de mais de 120.000 m2 no centro da cidade, oferecendo aos fãs, turistas e moradores locais uma gama de possibilidades como restaurantes, lojas do time, cervejarias e um espaço destinado a eventos abertos sazonais e durante os jogos. Era um novo marco na história de Milwaukee e, principalmente, para a marca que redesenha a experiência do fã, garantindo um hub de entretenimento e a permanência da franquia por muitas gerações. Incluindo os jogos dos Bucks, a arena é palco de mais de 200 eventos por ano como grandes shows de música, shows em família, jogos da NCAA, hóquei, boxe, entre outros.

 

 

A mudança de identidade visual, da direção do time e a construção de uma nova arena foram pontos muito importantes no processo de rebranding que provaram pra cidade a seriedade e ambição que esse projeto apresentava. Mas o fator mais importante ainda estava dentro de quadra, imagina se depois de todo trabalho de reconstrução de marca a equipe apresentasse a mesma qualidade de jogo da temporada de 2014? Seria um desastre.

 

E o time começa seu rebuild após a venda da franquia em 2014 já com apostas jovens como Khris Middleton, o recém draftado Jabari Parker, Giannis Antetokounmpo e algumas picks de draft.

 

No primeiro ano o time dá um salto de produção e se classifica para os playoffs, mas perde para o Chicago Bulls no primeiro round, em 2016 não se classificam para a pós temporada, mas assinam um contrato de 5 anos com o grego Giannis.

 

Os Bucks acumulam mais eliminações em 1º round de playoffs nas 2 temporadas seguintes. Reformulam o elenco com algumas trocas de jogadores, o técnico Mike Budenholzer é contratado e em 2019 atingem a marca de 60 vitórias, chegam a final de conferência com um elenco muito mais qualificado, o MVP e o melhor técnico daquele ano.

 

Na temporada atual, a equipe possui pelo 2º ano seguido o melhor recorde em temporada regular e é considerada por muitos, a principal candidata ao título, como prometido em 2014 pelos compradores no início do processo de rebranding.

 

 

O processo de reconstrução idealizado fora das quadras e evidenciado dentro delas pelos jogadores construiu uma das marcas mais fortes da história da NBA e de Milwaukee nos últimos anos. De 2014 pra cá:

 

- A taxa de ocupação nos jogos aumentou em aproximadamente 25%;

- O recorde de vitórias passou da 30ª para 1ª colocação;

- Desenvolveram um dos maiores jogadores internacionais de todos os tempos;

- A franquia conseguiu se reconectar com a cidade, gerando um aumento de 29% no interesse dos fãs de 2015 para 2016, segundo a Nielsen;

- Triplicou 3x o seu valor de mercado, segundo a Forbes, passando de U$405 milhões para U$1,58 bilhão em 2020;

- Aumentou suas receitas anuais, segundo a Forbes, de U$109 milhões para U$283 milhões atualmente.

 

 

O projeto foi um sucesso e nada melhor que o Troféu Larry O'Brien nessa temporada para reafirmar isso.

 

O futuro é próspero em Milwaukee!